25 agosto, 2015

Oi gentessssss!!!

Vou continuar a contar a historinha da minha cirurgia plástica. Capítulo I, tá aqui.

Próteses lyyyyyndas e menos 3,5 litros de gordura no buchinho com a lipoaspiração. Como todo procedimento cirúrgico, os medicamentos para aliviar as dores vieram de lambuja. Passei a noite no hospital à base de anti-inflamatórios e outros remédios. Jantei normalmente. Na manhã seguinte, me senti bem, apenas incomodada com as dores abdominais em função dos “cutucões” da lipo. Recebi alta próximo ao horário do almoço e fui pra casa. Passei a maior parte do tempo deitada ainda em função das dores pós-lipo. Até que, ao tomar os remédios prescritos para ingestão via oral, percebi que nenhum – nenhum! – parava no meu estômago. A permanente náusea perdurou a noite toda. Ao ligar para o médico, ele pediu que eu retornasse ao hospital na manhã seguinte para uma nova internação. 

Os remédios voltaram a ser ingeridos pela veia. As dores passavam por curtos períodos mas a ânsia simplesmente não cessava. A sensação de saciedade, de ter comido um boi, não cessava. Por muitas vezes, forcei o vômito já que não acontecia espontaneamente. Toda vez que vomitava, a sensação ruim passava por alguns instantes, então dormia um tempo até que as fortes dores retornavam. Não sabia se a dor era de "dentro" - do estômago - em razão das constantes sessões de vômito ou se simplesmente era de "fora" por causa do lipoaspiração. Acordava, vomitava verde, sentia dor, vomitava mais verde, sentia mais dor, vomitava ainda mais verde, sentia ainda mais dor, até que dormia. E nesse "ritmo" permaneci por três lonnnngos dias no hospital. Depois de muita dor, passei a conhecer um termo da medicina: íleo paralítico.

Segundo o Wikipedia:
"O íleo ou ileus (também íleo paralítico ou íleo adinâmico) é um problema em que os movimentos contrácteis normais da parede intestinal se detêm temporariamente.
Tal como em uma obstrução mecânica, o íleo impede o trânsito do conteúdo intestinal. No entanto, ao contrário da obstrução mecânica, o íleo raramente evolui para uma perfuração.
O íleo adinâmico pode ser provocado por uma infecção ou por um coágulo sanguíneo no interior do abdómen, por uma redução do fornecimento de sangue ao intestino devido à arteriosclerose ou pela lesão duma artéria ou de veias intestinais.
Também pode ser provocado por problemas extra-intestinais (fora do intestino), como a insuficiência renal ou valores anormais de electrólitos no sangue (por exemplo, uma baixa concentração de potássio ou uma elevada concentração de cálcio). Outras causas de íleo são certos fármacos e uma glândula tiróide hipoactiva. O íleo é uma circunstância habitual durante 24 a 72 horas depois duma cirurgia abdominal".

Acontece que as 72 horas pós-cirúrgica já haviam passado mas a sensação de náusea não. Observando os remédios que recebia na veia, descobrimos que o "paracetamol" para combater as dores depois de uma cirurgia, chamado tramal, poderia estar me causando essa "sensação", além de alimentar o intestino com doses da “preguicinha” associado ao taquicardia. Na troca por outro remédio em uma crise estupenda de dor foi recomendado que eu tomasse um medicamento primo-irmão da morfina, que reduziu drasticamente o meu sofrimento, mas também contribuiu ainda mais com o tal do íleo paralítico.

No quarto dia, depois de me esforçar para comer – sem sucesso -, fazer uma ultrassom na barriga
''machucada" da lipo (o que causou uma dor insuportável), muito forçar o vômito e a sensação de saciada não passar, o que me causava muiiiiiiita dores abdominais e na coluna, segui a indicação do médico – já no final de tarde - de colocar uma sonda. Um cano de 18 mm que segue do seu nariz até o estômago, uma espécie de “sugar”. Após o desconforto na "introdução" do cano, foi aberta a sonda, medida responsável pela retirada – de cara – de 3,5 litros de suco gástrico do meu estômago, volume este que me deixava com a sensação de empanturrada mesmo sem comer. A partir daí confirmou-se que o quadro era, de fato, de íleo paralítico. Que meu estômago tinha se tornado uma represa de suco gástrico, saliva e outras cositas uma vez que me intestino estava “liso” demais para absorver qualquer resíduo – fruto da overdose dos medicamentos.

A sonda, que na minha cabeça ficaria um dia, permaneceu comigo outros cinco. Chamei carinhosamente de tromba. Era a minha salvação para toda e qualquer sensação incômoda de saciedade, que estava aliada sempre a muitas dores. No entanto, a sonda é uma espécie de “ladra” do que produzimos no estômago. O certo é que tudo que produzimos e ingerimos faça o caminho “normal” do sistema digestivo e não que um instrumento mecânico faça com que essa produção saia “por cima”.

Então no terceiro dia de sonda e sexto de internação, o médico decidiu que não a abriria mais para forçar meu intestino a trabalhar. Dieta líquida – gelatina, suco e água – foi liberada. Não adiantou. A sensação incômoda de saciedade voltou e a sonda teve que ser aberta. O instrumento que me deixava melhor, paradoxalmente não estava “contribuindo” para a evolução do meu quadro clínico. Depois de aberta a sonda, o médico decretava dieta zero até o dia seguinte para uma nova tentativa de sonda fechada aliada a dieta líquida. Seria mais compreensível se não fosse véspera de Natal. Em meio à ceia em pleno hospital,  fiquei à base de água molhada na gaze sobre os lábios.

No dia seguinte, um novo especialista foi chamado. Além do cirurgião plástico, um gástrico também passou a acompanhar o meu quadro. Tive que fazer uma ressonância, exame que mostrou o alto grau de gases na minha barriga. No sétimo dia de internação, enfim, a primeira “mostra” de fezes. Já as sessões de vômito ainda persistiram mesmo com menos frequência. No oitavo dia, enfim, a sonda foi retirada.

Aconselhados pelo gastro, tentamos evoluir para uma dieta branda (batata cozida, frango desfiado e caldo de feijão). Mais náuseas foram registradas mas o médico decidiu continuar com esse cardápio. Já no décimo dia de internação, o gastro me liberou para que a recuperação final ocorresse em casa pois a evolução seria melhor. Era 30 de dezembro. Nem acreditava que ia pra casa passar o reveillon! A virada do ano passei no banheiro com náuseas mas os dez dias seguintes foram progressivos. Algumas refeições não paravam no estômago. Outras sim. Sempre frango, batata cozida e caldo de feijão. Remédios foram prescritos para recuperar vitaminas e ferro perdidos com o quadro além dos anti-inflamatórios e analgésicos.

Já em casa, ainda por conta da "força" que fazia quando ia ao banheiro, desenvolvi hemorroida =( que também foi tratada com pomadas e banho de assento. Quanto à cicatrização dos pontos - eram sete pontos da lipo mais os dois cortes nos seios -, em função das inúmeras sessões de vômito, os pontos da lateral da barriga - um de cada lado - abriram (e juro que não senti dor nesses locais em razão das "outras" dores). Os demais, inclusive dos seios, cicatrizaram "bonitinho". As drenagens linfáticas foram bem sucedidas, a sensação de "pele descolada" da barriga sumiu, e meu tanquinho, enfim, apareceu! :)

Fato é que, além da gordurinha retirada na lipoaspiração, emagreci 7 kg em 10 dias internadas. Cheguei a 49 kg. Ao "longo" dos meus 1,59 m, minha aparência estava cadavérica. Três meses depois já estava com a aparência mais saudável. Faço este post somente para alertar sobre os riscos de uma cirurgia como essa. Os médicos me confessaram depois que, por um momento, pensaram que meu quadro poderia não evoluir. Hoje sei que não posso, em hipótese alguma, ingerir o tramal. Não me arrependo da intervenção (até faria outra. me julguem!) mas eu acredito que informações como estas são imprescindíveis para quem vai encarar a faca já que nos preocupamos, no máximo, com o tempo de cicatrização dos pontos (e possível formação de queloide) e o número das drenagens linfáticas.

Beijocas e até o próximo post!

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